quinta-feira, 25 de abril de 2013

Intervenção de José Pedro Caçorino, na Sessão Solene das Comemorações Oficiais do 25 de Abril

Intervenção do nosso representante, José Pedro Caçorino, na Sessão Solene das Comemorações Oficiais do 25 de Abril, em Portimão.

Pode ler o discurso integral neste link.

Comemoramos hoje o 39.º aniversário da madrugada em que um país inteiro acordou, meio estremunhado, da longa noite da ditadura. Acordou, meio surpreso com os cravos vermelhos cravados na ponta das metralhadoras, para a manhã da democracia, da liberdade, do desenvolvimento económico e social, da abertura à Europa e aos ideais do Estado de Direito Democrático!!!

Assinalar esta data é também – e será sempre – lembrar os capitães de Abril, os resistentes à ditadura, os presos políticos, todos os que ajudaram a que os valores de Abril pudessem cumprir-se em 25 de Novembro de 1975; mas é também lembrar todos aqueles que são os “esquecidos” do 25 de Abril: os militares que fizeram a Guerra Colonial, os retornados das ex-colónias, todos aqueles que foram ostracizados, através da prisão arbitrária ou dos saneamentos políticos na voragem da própria revolução!

Celebrar esta data inolvidável e sempre marcante é, acima de tudo, vincar bem o significado da palavra e do valor da liberdade!


Minhas Senhoras e Meus Senhores:

Passados 39 anos sobre a revolução, celebrar a conquista da liberdade implica necessariamente repensar o que é para nós, hoje, em 2013, nesta conjuntura política, económica e social sermos livres, em Portugal e em Portimão. No contexto de resgate financeiro nacional e municipal em que vivemos, será a liberdade um valor absoluto ou teremos antes que tomar as medidas inevitáveis para reconquistarmos de vez a nossa verdadeira e preciosa liberdade, de forma a podermos tomar o futuro nas nossas mãos e a construi-lo apenas de acordo com a nossa vontade e ideais?

Ao comemorarmos esta data, importa assim, mais do que evocar o passado e as figuras que marcaram a implantação da nossa democracia, olhar para a nossa realidade e questionarmos o que queremos para o futuro do nosso país e do nosso concelho.


Sr. Presidente da Câmara,

Minhas Senhoras e Meus Senhores:

Vivemos actualmente, no país e no concelho de Portimão, sob o jugo dos credores. 39 anos depois e pela terceira vez na nossa história recente, o Estado Novo, cedeu o seu lugar a um Estado endividado, em que não há prisões políticas, não há censura, mas em que estamos nas mãos de quem nos empresta o dinheiro de que tanto necessitamos. Podemos afirmar que nos nossos dias a liberdade plena e ilimitada de decidirmos o que queremos (para o país e para o concelho), cedeu o seu lugar às opções que somos forçados tomar, pela mão de quem nos financia a correcção da irresponsabilidade de outros (a nível nacional) e da irresponsabilidade de quem ainda está no poder (a nível local). Alguns líricos, reféns dos amanhãs que não chegaram e nunca chegarão a cantar, dizem apenas que “Que se lixe a troika”, esquecendo que é fácil cuspir na mão de quem nos acudiu há cerca de dois anos, quando estávamos na iminência de não ter dinheiro para pagar salários e pensões; outros, mais comedidos, mas igualmente atrevidos, após vários anos de hibernação por outras paragens ou outras funções em que viveram à sombra da manjedoura do Estado (enquanto houve dinheiro para gastar), surgem agora na cidade, arvorados em salvadoras do concelho, quando não mesmo Santas da Misericórdia Municipal, pretensamente imaculadas no pecado da dívida autárquica. Toda esta gente, embora sob formas muito diversas, apregoa aos sete ventos a liberdade à la carte, espécie de panaceia em que todos poderão obter tudo, não fossem os recursos limitados e os tempos de escassez a todos os níveis.


Minhas Senhoras, Meus Senhores:

Que liberdade é esta, em que a nossa autarquia, fruto do desvario dos dois últimos mandatos, viu-se obrigada a solicitar um pedido de ajuda financeira – mais conhecido por PAEL – cujos montantes constituem um verdadeiro recorde nacional: € 93.865.393,11 (noventa e três milhões, oitocentos e sessenta e cinco mil, trezentos e noventa e três euros e onze cêntimos), acrescidos de mais € 39.442.536,67 (trinta e nove milhões, quatrocentos e quarenta e dois mil euros, quinhentos e trinta e seis euros e sessenta e sete cêntimos)? Que liberdade é esta, em que a nossa autarquia fica sujeita a um verdadeiro garrote financeiro durante o período de amortização do empréstimo – ou seja, 20 anos – período em que verá a sua capacidade de investimento fortemente cerceada, se não mesmo eliminada?

Esta “liberdade” de que falo é sobejamente conhecida de todos. São os salários que não foram pagos a tempo e horas em algumas ocasiões (veja-se o caso da Portimão Urbis ou dos professores das AECs); é um concelho desgovernado, praticamente entregue a si próprio, onde falta o dinheiro para as funções mais básicas; são os senhores funcionários da autarquia, que têm que fazer das tripas-coração para cumprir cabalmente as suas funções, uma vez que faltam os meios mais elementares para trabalharem; é o nível de desemprego do nosso concelho (o mais alto da região) e o comércio tradicional que, por entre as medalhas e as homenagens do Sr. Presidente da Câmara, vai encerrando sucessivamente na zona central da cidade, fruto da política ruinosa de porta aberta às grandes superfícies que tem sido apanágio do Partido Socialista; um concelho onde a fome grassa e é a Igreja Católica que tem que acudir aos mais necessitados; enfim, é a autarquia que já não consegue esconder a sua reputação de má pagadora, que acumula acções executivas em tribunal, que não tem dinheiro para satisfazer compromissos básicos e que acumulava em 2010 um deficit mensal crónico de cerca de 3.000.000,00 € (três milhões de euros) e ainda hoje, mais de 1.500.000,00 € (um milhão e meio de euros).


Caros Portimonenses: 

Não vale a pena falarmos de liberdade, sem que este valor esteja devidamente enquadrado pela responsabilidade, pela nossa responsabilidade, de todos nós. Autarcas, cidadãos, empresários, funcionários públicos, professores, empreendedores, reformados, todos somos chamados, cada vez mais, a assumir essa responsabilidade que, no nosso país e na nossa cidade, poderá reconduzir-nos ao verdadeiro significado da liberdade. Ou seja, a verdadeira possibilidade de, em cada momento, sermos nós e apenas nós, a definirmos o que queremos para o nosso futuro e de que forma queremos construir esse futuro!

É neste contexto que assumimos pessoalmente o desafio de encabeçarmos a lista do CDS-PP à Câmara Municipal de Portimão nas próximas eleições autárquicas que terão lugar este ano. Fazemo-lo conscientes da situação de emergência social que muitas famílias portimonenses vivem no seu dia-a-dia, da difícil situação da nossa autarquia e das enormes dificuldades que o frágil tecido empresarial do concelho atravessa. Mas também sabemos que será apenas no quadro democrático, em que diferentes candidaturas com verdadeira igualdade de armas apresentem as suas propostas, que poderemos buscar e construir soluções para reencontrarmos o verdadeiro significado da palavra “liberdade”. E é fundamental que este exercício de cidadania e de amor por Portimão seja feito apenas na perspectiva de servir a nossa terra e os nossos concidadãos, sem ilusões, sem vender quimeras a ninguém e sem medo de enfrentar os problemas que temos pela frente. Já nos chegam os insectários, os teleféricos, as cidades do cinema que alguns apregoaram e que não passaram dos prospectos de campanha eleitoral!!! 

Pela nossa parte e em traços muito gerais, consideramos que a reconquista da nossa liberdade enquanto concelho passa fundamentalmente pelo seguinte:

Em primeiro lugar, pelo saneamento financeiro da autarquia, com uma gestão financeira rigorosa e transparente, em que haja uma informação constante e clara de como serão aplicados os dinheiros públicos;

Pelo reforço das medidas de apoio e de coesão social, já que os problemas que a população vive actualmente são verdadeiramente dramáticos. E nesta área há que, acima de tudo, integrar o social com o económico, evitando uma falsa dicotomia entre coesão assistencialista e competitividade;

Depois, pelo lançamento de medidas de revitalização económica do concelho, criando condições para atrair investimento para Portimão. Sem investimento produtivo não há recuperação da economia local e sem esta não há criação de riqueza e de emprego. Interligadas com esta questão estão também os problemas da revitalização do comércio tradicional, do combate à desertificação do centro histórico de Portimão, da reabilitação urbana e da manutenção dos espaços públicos.

Em quarto lugar, pela (re)afirmação de Portimão no contexto regional, nacional e internacional, de forma a voltar a captar algum investimento externo, fluxos turísticos com menos sazonalidade e mais poder de compra, entre outras acções urgentes. É fundamental, a nível regional, afirmar definitivamente Portimão como pólo de liderança e aglutinador de vários concelhos do Barlavento, de modo a ganharmos escala e massa crítica ao nível da nossa região. 


Minhas Senhoras, Meus Senhores:

Em ano de eleições autárquicas é imperioso, a bem da saúde democrática da cidade, que todos os candidatos digam claramente ao que vêm. Pela nossa parte, sabemos que estes não são tempos para promessas nem para vender sonhos. É tempo de falar claro aos portimonenses, mostrando “todo o jogo”, sem margem para quaisquer dúvidas ou reservas mentais.

Pela nossa parte consideramos que a nossa verdadeira liberdade, enquanto concelho que tem um futuro para oferecer aos nossos filhos e netos, depende necessariamente de assumirmos de vez a nossa responsabilidade enquanto cidadãos de corpo inteiro. E esta cidadania só poderá ser verdadeira e livre, se o nosso objectivo for apenas e sempre servir os nossos concidadãos e a nossa comunidade! Só assim voltaremos a viver plenamente o sentido da palavra “liberdade” e só dessa forma seremos verdadeiramente fiéis aos valores de Abril e ao legado de Salgueiro Maia e dos Capitães de Abril!!!


Viva o 25 de Abril!!!

Viva a Liberdade!!!

Viva Portimão e os Portimonenses!!!

1 comentário:

Anónimo disse...

eu nao conheço estas pessoasnem nunca as vi,toda a gente fala mas.....nao voou votar,desculpem mas este ano vai ser assim.