sábado, 30 de março de 2013

Portimão está sem rumo há muitos anos

Entrevista do nosso candidato à Cãmara Municipal de Portimão, José Pedro Caçorino, ao Jornal Barlavento no passado dia 28 de Março de 2013.


Texto: josé manuel oliveira
Foto: antónio alves fernandes


barlavento - Como surge esta sua candidatura à presidência da Câmara de Portimão?

José Caçorino - Esta candidatura, antes de mais, nasceu do convite formulado pela atual Comissão
Política Concelhia de Portimão do CDS-PP. Falei depois com algumas pessoas do concelho que não estão ligadas à atividade política e, perante os desafios que se colocam atualmente ao concelho de Portimão, entendi que tinha condições para protagonizar um projecto político alternativo à governação do Partido Socialista. Estou há quase quatro anos na Assembleia Municipal e conheço a situação da nossa autarquia. Desde logo, é fundamental criar uma verdadeira alternativa à governação do PS porque o modelo socialista está esgotado em Portimão. É urgente alterar de vez o rumo do PS e inverter a situação de ruptura financeira, económica e social em que Portimão vive. Penso que neste momento é vital falar do futuro aos portimonenses, mas falar com verdade, com a consciência da difícil situação que o concelho atravessa,
sem falsas promessas e maquetas fantásticas, que não passam dos prospectos de campanha eleitoral. Há uma grande desilusão entre os portimonenses com o rumo que vem sendo seguido e há muita gente no nosso concelho que não vê esperança no futuro. Há muitos portimonenses que foram esquecidos pelo executivo socialista, por esta forma esquizofrénica de fazer política, em que se promete tudo a todos, sem olhar à conjuntura nacional, às limitações do nosso modelo de desenvolvimento económico e territorial e à crescente
escassez de recursos financeiros.
Aceitei este desafio em nome dos milhares de portimonenses que estão esquecidos, mas também em nome de uma forma de fazer política em que os eleitos estão sempre ao serviço dos eleitores e tomam decisões  apenas em função das necessidades daspopulações. Em síntese, não me apresento às eleições por ambi-
ção ou vaidade pessoal, nem por necessidade de afirmação. 

b. – Porque não há coligação com o PSD neste concelho?

J.C. - Essa é uma questão que, muito sinceramente, não me preocupa. O concelho de Portimão necessita de soluções políticas alternativas, protagonizadas pelas pessoas com a melhor preparação técnica e política, porque os tempos que atravessámos em Portimão não estão para experimentalismos e muito menos
para satisfazer vaidades e ambi ções pessoais. Dito isto, considero que apenas as estruturas locais e distritais do PSD poderão responder a essa pergunta. Pela nossa parte, tínhamos uma ideia clara de como e com quem poderia ter existido uma convergência política com o PSD e com outros partidos. O PSD nunca
deu mostras de querer construir uma alternativa, parece estar antes preocupado com os seus assuntos internos e mesmo mais interessado em continuar a facilitar a vida ao PS de Portimão. Nós estamos aqui para propor uma alternativa que sirva para resolver os problemas de Portimão e dos portimonenses.

b. – Que avaliação faz sobre o estado do município de Portimão?

J.C. - Considero que a situação atual do concelho é de verdadeira calamidade, a vários níveis. Desde logo, a nível financeiro. Penso que chegámos a um ponto de não retorno, por exclusiva responsabilidade dos sucessivos executivos camarários do PS, em particular nos dois últimos mandatos. Alguém acha admissível que Portimão seja o recordista a nível nacional nos montantes incluídos no plano de apoio à economia local (PAEL)?
Será aceitável que a autarquia demore mais de dois anos para pagar faturas a fornecedores?
Como é que podemos aceitar que a Portimão Urbis continue a ser o verdadeiro cancro a nível financeiro da autarquia, sorvendo dinheiro e mais dinheiro e não apresente resultados condizentes com a estrutura e com os recursos humanos de que dispõe? É óbvio que não posso ficar de braços cruzados perante este tipo de gestão ruinosa seguida por Manuel da Luz e Luís Carito e avalizado pelos seus camaradas, com Isilda Gomes à cabeça. Alguém ouviu algum alerta, alguma discordância, alguma reserva ou dúvida que fosse da candidata do PS em relação ao rumo seguido nos últimos anos?
É claro que não, por um motivo muito simples: Isilda Gomes sempre apoiou este modelo de governação e é em nome desseapoio que se candidata. Por outro lado, vivemos uma situação de verdadeira emergência social. Os números do desemprego no concelho são muito preocupantes, as carências a nível social são crescentes e não sei o que seria de muitas famílias portimonenses se não fosse o apoio das instituições particulares de solidariedade social (em particular, das ligadas à Igreja Católica).
Acresce que a nível económico, o pequeno comércio está em risco de desaparecer no centro da cidade. A aposta que os sucessivos executivos do PS fizeram na instalação de grandes superfícies comerciais, conjugada com degradação do centro histórico da cidade, levou a um aumento do encerramento de lojas do comércio tradicional, ao abandono do centro da cidade, ao aumento da insegurança e à criação de pequenos «ghettos» onde reina a impunidade e o desrespeito pela autoridade pública. Nestas zonas, apesar da intervenção sempre voluntariosa e dedicada das forças de segurança, os cidadãos vivem em constante sobressalto, temendo pela sua segurança e integridade física. Também neste aspecto os sucessivos executivos do PS falharam claramente, pois nunca concretizaram a tanta vezes prometida vídeo vigilância.
Pese embora os «slogans» eleitorais do PS de Portimão, que também foram subscritos por Isilda Gomes, a verdade é que Portimão está sem rumo há muito anos. Não há uma ideia clara sobre o modelo de desenvolvimento, económico e territorial que o PS defende para o nosso concelho. Os últimos oito anos resumiram-se a um conjunto desconexo de eventos e manobras de propaganda mediática. Faltam estruturas essenciais a um concelho com a dimensão e a importância de Portimão: não temos uma Gare Rodoviária, não temos espaços verdes dignos desse nome, falta ordenamento do trânsito e acessibilidades. Em certas zonas do nosso concelho, parece que há situação de abandono permanente: buracos por tapar, zonas  ajardinadas por manter, enfim, uma situação de negligência permanente que transmite uma sensação de abandono aos nossos habitantes e aos turistas que nos visitam. É por este conjunto de motivos que a responsabilidade do CDS-PP de Portimão nas próximas eleições autárquicas é muito grande. Alguém acha que o mesmo PS que levou o concelho à situação em que nos encontramos é capaz de inverter esta
situação? Penso que nem muitos militantes do PS de Portimão acreditam em tal hipótese.
Portanto, nós assumimos a responsabilidade de nos afirmarmos como uma alternativa com credibilidade e, por outro lado, apresentar aos portimonenses medidas concretas para combater a actual situação do concelho. Neste momento, considero que o CDS-PP, com a candidatura que eu lidero, é a única alternativa política credível à candidata do PS, que é claramente de continuidade.

b. – O que irá mudar consigo se for eleito presidente da Câmara? Qual a sua prioridade?

J.C. - A minha prioridade absoluta será o saneamento financeiro da autarquia. Recordo que o CDS-PP anda há quatro anos – ou seja, desde a última campanha eleitoral autárquica – a reclamar um plano de saneamento financeiro da Câmara Municipal de Portimão. Sucede, porém, que a situação financeira agravou-se enormemente durante o actual mandato, pelo que neste momento a autarquia necessita urgentemente de um verdadeiro resgate financeiro, sob pena de entrar a qualquer momento numa situação de ruptura financeira. Isto é no imediato. A curto/médio prazo há que adoptar um modelo de gestão financeira completamente diferente. Comigo na presidência da Câmara Municipal de Portimão haverá desde logo gestão rigorosa e transparente, com uma informação constante e clara de como serão aplicados os dinheiros públicos. Comigo não existirão contratos de factoring, nem empresários a intentarem ações
judiciais nos tribunais para reclamarem créditos da autarquia e das empresas municipais. Trata-se, no fundo, de gerir uma autarquia com respeito pelos impostos dos munícipes, respeito pelo papel dos funcionários e
pelo futuro da nossa terra. A minha segunda preocupação é reforçar as medidas de apoio e de coesão social, já que os problemas que a população vive atualmente são verdadeiramente dramáticos. Se a gestão da autarquia for rigorosa e responsável,é perfeitamente possível alocar recursos financeiros ao reforço
das funções sociais da autarquia. Em terceiro lugar, há que lançar mão de medidas de revitalização económica do concelho, criando condições para atrair investimento para Portimão. Sem investimento produtivo não há recuperação da economia local e sem esta não há criação de riqueza e de emprego. Interligadas com esta questão estão também os problemas da revitalização do comércio tradicional, do combate à desertificação do centro histórico de Portimão, da reabilitação urbana e da manutenção dos
espaços públicos. É preciso levar a cabo uma política séria e estruturada de revitalização do centro da cidade de Portimão, em parceria com as associações representativas dos comerciantes e dos empresários, criando condições para que as pessoas possam vir para o centro da cidade instalar os seus negócios, fazer
compras, passear e viver. Trata-se de um trabalho fundamental para relançar a economia local e a própria vivência da cidade, que não pode ser adiado. Considero que a reabilitação urbana deve ser um instrumento não só de ordenamento do território, mas também de relançamento da economia local, no sector da
construção civil e na criação de emprego. É igualmente urgente apostar numa verdadeira política de mobilidade urbana, que privilegie a ligação intermodal entre os vários meios de transporte e um verdadeiro ordenamento de trânsito na cidade.
Finalmente, é imperioso aproveitar as caraterísticas únicasque o concelho Portimão tem no contexto regional e até nacional e internacional, para recuperar o papel de pólo dinamizador da atividade turística na nossa região. Sem este papel de liderança não é fácil conseguir angariar investimento externo, reforçar a procura dos mercados turísticos com maior capacidade económica e criar condições para afirmar a nossa oferta turística


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