domingo, 13 de janeiro de 2013

Artigo de Opinião - Fugas e Escapadelas

Artigo de Opinião de José Pedro Caçorino, publicado no Jornal do Barlavento do passado dia 10 de Janeiro de 2012.

Fugas e Escapadelas  

O final do ano velho e o nascer do novo ano não trouxeram nada de novo na política portimonense. Dezembro ficou marcado por uma maratona de reuniões da Assembleia Municipal, em que pontificaram a reformulação do pedido de adesão ao denominado PAEL (Programa de Apoio à Economia Local) e o orçamento da autarquia para 2013 (aprovado pela maioria socialista sem garantia da aprovação do PAEL). Janeiro de 2013 iniciou-se com um afamado festival de humor, realizado com o alto patrocínio da autarquia portimonense, em que, ao jeito de exorcismo de ano novo, os autarcas socialistas riram a bom rir, apesar da desgraça que por aí vai.

Voltando a Dezembro de 2012, a necessidade de reformular a proposta de adesão ao PAEL só espantará os mais distraídos ou aqueles que têm uma fé inabalável em Manuel da Luz. A proposta inicial estava pejada de irregularidades e apenas a obstinação dos socialistas de Portimão poderia permitir acreditar na mesma. Chegados a 20 de Dezembro de 2012 (data da discussão da reformulação do PAEL na Ass. Municipal) as surpresas foram outras: primeiro, a ausência, sem qualquer justificação, de Manuel da Luz; depois, os “argumentos” usados por Luís Carito – o verdadeiro pai do “monstro” – para quase forçar a oposição a aprovar o dito plano.

Se todos já perceberam o papel menor a que os Executivos liderados por Manuel da Luz têm votado a Assembleia Municipal (basta ver a repetida sonegação de informações e documentos) a deserção do ainda presidente no dia 20 de Dezembro marca um ponto alto da total ausência de respeito institucional que tem sido apanágio dos Executivos do PS portimonense. O Partido Socialista lidera a autarquia de Portimão vai para 36 anos e, de um modo especial, nos últimos dois mandatos (a que acresce o actual, à beira do fim) tem sido o ainda presidente a liderar os destinos autárquicos, sempre com maioria absoluta. Ou seja, quando se discute a adesão a um plano que visa consolidar dívidas no valor de 140 milhões de euros, contraídas desde 2005, o mínimo que se exige a um autarca responsável e respeitador do órgão que fiscaliza politicamente o Executivo, é dignar-se a comparecer perante tal órgão. Manuel da Luz, tão avesso a ausências em Assembleias Municipais (vide a sua crónica publicada neste jornal em 11/10/2012), preferiu (nas suas próprias palavras) assumir o silêncio, a ausência ou a fuga como afirmação! Deixou assim a tarefa de defender o indefensável ao seu vice Luís Carito, atitude, aliás, que começa a ser prática habitual.

Como com o P.S. uma má surpresa nunca vem só, faltava ouvir o rol de argumentos de Luís Carito para defender a proposta de reformulação do PAEL. E aqui, há que reconhecer que o argumentário utilizado foi para além da falta de honestidade intelectual. Dizer-se, como sucedeu na referida reunião, que a autarquia está a pagar juros elevados nos contratos de factoring porque a oposição não aprova e tem levantado muitas objecções ao plano de saneamento financeiro e agora ao PAEL, é um exercício primário e lamentável de demagogia barata (ou será carita, porque afinal são 140 milhões de euros?). Trata-se de uma tentativa desastrada de sacudir a água do capote por parte daqueles que verdadeiramente são os únicos responsáveis pela situação financeira calamitosa que a chegou a autarquia portimonense.

O raiar do ano novo, por muito que nos custe, não costuma alterar o que vai mal nas nossas vidas. Embora alguns pareçam acreditar que a mera passagem para um ano diferente é suficiente para mudar as coisas negativas, a verdade é que temos que ser nós, com o nosso esforço, entrega e abnegação a mudar o que não pode ficar na mesma. Em Portimão, neste ano que acabou de entrar, atravessamos um tempo de crise severa, que convoca o que há de melhor em cada um de nós para que 2013 não seja um ano tão mau como muitos parecem acreditar. Talvez seja tempo de perceber e assumir verdadeiramente o étimo da palavra (o grego krisis) que significa mudança ou transformação. Ora, a mudança que Portimão necessita não pode passar por uma mera mudança de figuras, mas antes e sim por uma verdadeira transformação na forma de fazer política: falar sempre a verdade aos cidadãos, envolvê-los sempre na governação do concelho e tomar decisões que, satisfazendo as suas necessidades, não ponham em causa as gerações vindouras. Para isto não são necessários homens ou mulheres providenciais. São indispensáveis cidadãos de corpo inteiro, sempre disponíveis para servir a sua terra e que não se escondem atrás de cargos honoríficos, de onde regressam apenas quando lhes convém politicamente.      

Feliz Ano Novo para todos!  
  
José Pedro Caçorino  
Membro da Ass. Munic. Portimão (CDS/PP) / Vice-Presidente da Mesa do Congresso Nacional do CDS-PP   

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