sábado, 11 de dezembro de 2010

Discurso do Dia da Cidade de Portimão 2010

A Comissão Política Concelhia do CDS-PP Portimão convidou o nosso militante Custódio Milhano Coelho a representar-nos na Sessão Solene das Comemorações dos 86 anos da elevação de Portimão a cidade.

Deixamos o discurso de Custódio Coelho de hoje de manhã :


'Dia da Cidade

Portimão, 11 de Dezembro de 2010

86º Aniversário


Exmo. Presidente da Mesa da Assembleia
Exmo. Vice-Presidente da Câmara
Exmos. Vereadores
Exmas. Autoridades Civis e Militares
Exmos. Membros dos Partidos Políticos
Exmos. Familiares de Manuel Teixeira Gomes
Exmos. Munícipes
Caros Cidadãos


Antes de mais quero agradecer o convite para aqui, perante vós e neste aniversário poder afirmar alguns pensamentos que espero sejam motivo de reflexão.

PORTIMÃO, minha cidade há já 19 anos. Terra que se me apresentou no meu destino e que aprendi a gostar. Alias, que gosto cada vez mais.

Consolidada que está a marca PORTIMÃO.

Consolidadas as infra-estruturas e os equipamentos básicos.

Consolidados os serviços aos visitantes.

O modelo que temos tido, Cidade de Férias, que terá que ser mantido, está esgotado e não cumpre o crescimento que todos ambicionamos.

As circunstâncias do Mundo de hoje, a crise financeira, ajudaram a esgotar o modelo.

A cidade viveu nas últimas décadas voltada para fora, para a captação de visitantes, para a melhoria de serviços a turistas, para as infra-estruturas e equipamentos, para as festas.
Foi o modelo que a cidade se viu forçada a escolher, empurrada pela procura das suas praias.

Estamos em fim de ciclo.

O crescimento turístico a que se assistiu nos últimos anos ACABOU.

Há que manter e melhorar a qualidade, fidelizando os que já nos visitam, mas, por mais esforços que façamos, não podemos esperar crescimentos acentuados no futuro. ACABOU.
Esgotaram-se os recursos financeiros presentes e futuros. A capacidade de investimento público está hipotecada por alguns anos.
E não esqueçamos que grande parte do nosso crescimento recente foi construído com dinheiro Europeu.

Agora a massa monetária encolheu.

A pobreza ameaça!

Não creio que os portimonenses se resignem, que baixem os braços.

Criamos e construímos uma cidade com capacidade para servir pelo menos meio milhão de pessoas. Residentes serão cerca de sessenta mil.

Vivemos numa cidade cara porque somos poucos a utilizar as suas capacidades ao longo de todo o ano.

Este desfasamento que hoje é entendido como um problema pode ser, e é em minha opinião a nossa grande oportunidade.

Vamos falar do FUTURO.

Estamos de posse de todas as potencialidades e capacidades.

O grande problema Português é a falta de credibilidade, é assim que nos vêm lá fora, o “Le Monde” dizia em Novembro que Portugal não tem plano para o futuro, que mais grave que o endividamento é a incapacidade estratégica, de visão, de planeamento e execução. E esta verdade aplica-se não só ao País, mas em particular à nossa cidade.
É a falta de planos, projectos, objectivos para o futuro que não existem.

Na Irlanda foi a banca que faliu, emprestaram setenta e dois biliões de euros a cento e quarenta pessoas. Em Portugal os bancos sofrem mas não faliram.

Estagnámos e existe a ameaça de regressão económica e social.

Qual a estratégia para sair deste impasse e voltar a crescer?

Não temos. Continuamos a esgotar o mesmo modelo, turismo, sol, praia e meia dúzia de eventos.

As praticas politicas e os seus agentes, que fizeram história até aqui estão esgotados e sem visão. Teremos que homenageá-los, pois fizeram o melhor que sabiam, mas estão cansados, sem capacidade e conhecimentos para se regenerarem. Passaram a ser gestores de tesouraria, e as suas respostas frequentes são:

Não podemos fazer, não há dinheiro.

E os lamentos são:

Os bancos não nos dão dinheiro, os turistas gastam cada vez menos, passam cá menos tempo, vão menos aos restaurantes, são turistas de supermercado, e por aí fora no contínuo rol de lamúrias.

E esta mensagem é absorvida pela população, pelos agentes económicos e o povo vai entristecendo, empobrecendo.

A culpa é sempre dos outros, ou dos bancos, ou dos operadores, ou dos mercados, ou do mau tempo.

As novas gerações não são de lamentos e não aceitam este estado de coisas.

Nós fazemos o FUTURO.

Temos capacidade instalada.

Temos Conhecimentos.

Temos experiencia.

E é a nós que nos cabe FAZER.

Reavivar o espírito de INICIATIVA
                               de VISÃO
                               de ACÇÃO.
Foi com este espírito que ganhamos a independência.
Foi com este espírito que fizemos os descobrimentos.
Foi com este espírito que recuperamos do terramoto.
Há séculos que fomos empreendedores.

É com este espírito que queremos fazer o FUTURO.

É com novas atitudes – a excelência por exemplo.

A excelência é que destaca as sociedades de sucesso duradouro. Suíça, Singapura, Canadá, Escandinávia, as sociedades mais produtivas e ricas do Mundo.

Precisamos decidir como queremos viver no século XXI. Temos capacidade e podemos ser como estas sociedades, aliás melhores.

O sucesso vem de atitudes positivas,

Exigência na performance,

Capacidade de planear,

Competência na execução.

PORTIMÃO tem FUTURO.

Comecemos hoje a construi-lo.

Como no passado captámos visitantes, precisamos no futuro de captar residentes.

Como no passado escolhemos os mercados emissores nossos amigos, Reino Unido, Alemanha, Escandinávia. É nestes mercados que estão os novos residentes.

Residentes de elevado potencial intelectual.

Profissões criativas e liberais de elevada capacidade e geradoras de altos níveis de rendimento, actividades de valor acrescentado.

É no atrair destes novos residentes que passa o nosso futuro,

A Suíça assiste hoje ao maior crescimento no mercado imobiliário deste que existem estatísticas, e porquê? Porque está a atrair residentes de elevado potencial que procuram, a qualidade Helvética, serviços de excelência, organização, segurança, educação de alto nível para os seus filhos, sociedades multiculturais.

Tudo isto a Cidade tem e podemos oferecer muito mais. O clima, a gastronomia, a cultura, a centralidade do eixo atlântico e a proximidade de 350 milhões de europeus.

Precisamos de resolver as lacunas, complexos de escritórios para instalação de micro, pequenas e médias empresas, escolas internacionais, elevar a qualidade dos serviços prestados, infra-estruturas de comunicações, equipamentos e infra-estruturas de lazer, parques verdes, parques temáticos.

São residentes o que temos que captar.

São as empresas que temos que captar.

As iniciativas da economia nova. Sustentáveis e baseadas no conhecimento.

O mercado dos visitantes está consolidado e será estável na próxima década.

Vamos dar uso à capacidade instalada e requalificar o deteriorado.

Mas não só de residentes de alto potencial mas também aqueles que envelhecendo, aqui podem encontrar conceitos de vida atractivos. Os Seniores são um mercado crescente.

A oferta de cuidados de saúde de qualidade internacional é condição primária para a captação destes residentes.

A título de exemplo e segundo dados comprovados de 2010, no Reino Unido a internet é a quinta maior actividade económica em termos do produto, ultrapassando industrias como a construção e até o turismo. Do pagamento das ligações às redes até à venda de produtos biológicos do mais pequeno agricultor, para não falar da famosa “amazon” a revolução tecnológica conseguiu um crescimento inesperado e na maioria das regiões salvou as sociedades da crise.

O PORTIMÃO do FUTURO deve fazer parte dum mundo interligado e emissor de produtos e serviços de elevado valor.

O local onde as actividades produtivas se instalam continua a ser crucial para a decisão empresarial, no entanto os critérios dessa decisão sofreram grandes alterações. A qualidade de vida passou a ter relevância nas decisões da economia do século XXI. Sendo uma economia de informação, educação, investigação e criatividade intelectual, são factores de relevante importância e que podem estar distantes dos clientes.

Portimão, o Algarve tem os equipamentos, tem as infra-estruturas, tem o clima, tem a qualidade de vida, só falta a capacidade intelectual. São estes os residentes que temos que atrair, esta nova vaga de emigração qualificada, que já hoje em dia está em movimento no Mundo à procura de local para se instalar.

Nós temos as condições, só precisamos de QUERER.
E para terminar deixo um pensamento dos anos sessenta, de um político carismático, que adapto à cidade e que espero seja embrião.

Tu cidadão, não perguntes o que o Estado, a Câmara pode fazer por ti. Pergunta-te sim, o que tu podes fazer pela cidade, qual o teu contributo, o que podes dar, quem podes chamar para aqui viver, quem podes ajudar que aqui já vive, o que podes limpar, o que podes não estragar e talvez melhorar.

Faz pela tua cidade que ela fará por ti.

Custódio Coelho'

3 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns ao CDS, por mais uma vez ter dado vós ao "POVO". Sem chavões nem dogmatismos este SENHOR Coelho deu uma lição à "nomenklatura". Saibam ter a humildade e interiorizar alguns dos conceitos e Portimão poderá ser diferente neste Séc. XXI. Mas acima de tudo muito obrigado SENHOR Coelho pela sentida partilha, com que nos honrou. Pessoas destas fazem falta à n/ cidade.

Anónimo disse...

Desculpem o erro (foi da emoção), em vez de "vós" obviamente que deve estar "voz"

Anónimo disse...

É pena que por mais textos sentidos que se façam, e aqui o Sr. Custódio Coelho está de parabéns, palavras destas são brisas que se respiram e emocionam, contudo o resultado não passa de incoerência por parte de aldrabões sofisticados. E por mais Sr. Coelho, Sr. Caçorino, Sr. Caetano e restantes homólogos, a minoria inteligente que quer fazer por Portimão não passa disso mesmo de minoria.
A politica barata continuará a triunfar para um povo desobediente a princípios.