segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Paulo Portas critica TGV e pede apoios para as PME´s


O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, defendeu este sábado que o Governo devia orientar a política económica para ajudar as pequenas e média empresas em vez de avançar com "três grandes obras" (TGV, novo aeroporto de Lisboa e terceira travessia do Tejo).

Apesar das críticas, que se estenderam ao ministro da Economia, Vieira da Silva, o líder centrista disse que "com certeza" o país é governável.

"Três grandes obras ao mesmo tempo, TGV, novo aeroporto e terceira ponte sobre o Tejo, arriscam-se a consumir o crédito que está disponível e que já não é muito", referiu Paulo Portas, na Covilhã. "E tiram folga para que a viragem da política económica para quem precisa dela, as pequenas e médias empresas, que são 90 por cento das empresas de Portugal e representam 80 por cento do emprego", sublinhou.

"Há dois milhões de postos de trabalho que dependem das PME", destacou.

Paulo Portas criticou ainda o ministro da Economia, Vieira da Silva, que, na sexta-feira à noite, à margem de uma reunião partidária em Setúbal, acusou a oposição de "enfraquecer a capacidade de resposta do país à crise mundial".

"Julguei que era ministro da Economia para tratar da economia". "É disso que tem que tratar, não da oposição", referiu Paulo Portas, defendendo o reembolso do IVA a 30 dias e que o Estado pague com juros em todos os casos de atraso.

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, defendeu ainda esta segunda-feira que só com maior apoio às pequenas e médias empresas é possível contrariar os índices de destruição do emprego em Portugal.

“Tradicionalmente, Portugal era o país que tinha uma taxa de desemprego inferior à taxa de desemprego europeia”, recordou o líder do CDS em Arouca, a propósito destes números de 2009. "Neste momento, é o terceiro país onde há maior destruição do emprego”, acrescentou.

Paulo Portas considera que o facto demonstra que ficou por cumprir a promessa de José Sócrates de criar 150 mil novos empregos em Portugal e declara: “Quem cria emprego são as empresas. Ou se apoia a sério as pequenas e médias empresas ou quem acha que é só o investimento público que gera emprego vai ver que está enganado”.

Para o líder do CDS, se Portugal registou uma redução de 1,1 por cento no número de postos de trabalho enquanto esse valor se ficou por uma média de 0,5 por cento na restante zona Euro, o facto deve-se a uma má política económica.

“Na União Europeia há outros países que têm a dimensão de Portugal e não estão nesta situação”, observa Paulo Portas. “Um país como a Áustria tem mais ou menos a nossa população e tem uma taxa de desemprego de 4,7, enquanto a nossa é de 10,2”.

O líder do CDS refere que o mesmo se aplica à Holanda, onde a taxa de desemprego é de 3,7 por cento, e realça ainda o caso da república Checa, que, “saída do comunismo há pouco tempo e a recuperar, tem menos 3 por cento [de taxa de desemprego] que Portugal”.

Números do Eurostat conhecidos nesta segunda-feira apontam para uma destruição do emprego em Portugal 1,1 por cento, mais do dobro da diminuição verificada na União Europeia, na ordem de 0,5 por cento, no terceiro trimestre de 2009.

Por outro lado, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos revelou que a taxa de desemprego se agravou em Outubro no conjunto dos países da OCDE, fixando-se em 8,8 por cento, com Portugal a chegar aos 10,2 por cento.

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